Relatório e Contas

O ano de 2008 corresponde ao primeiro ano de um novo mandato deste Conselho de Administração, mandato que deve ser entendido com o da afirmação e consolidação da nova missão, como o mandato da demonstração da viabilidade e sustentabilidade desta Empresa como prestadora pública de serviços de concepção de territórios, de gestão de projectos de dimensão relevante e impacto no panorama nacional, e por vezes mesmo com expressão internacional (neste último caso como demonstração da capacidade nacional de exportar competências).

 

É nesse sentido que se inscreve o crescimento dos proveitos associados às novas actividades de concepção e gestão de projectos, que registam um crescimento em 2008 de 5,7 milhões de Euros face ao ano anterior, traduzindo a justeza da aposta da Parque EXPO no seu core business actual. Tal permite, em nosso entender, evidenciar, demonstrando com resultados concretos, a oportunidade das opções estratégicas inscritas na missão: por um lado, a aposta em áreas de concepção de intervenções no território de média/ larga escala, e, por outro, em gestão de projectos de intervenções de qualificação urbana e valorização ambiental, com uma perspectiva pública. Sempre com uma reafirmada perspectiva pública, o que constitui em grande medida a singularidade e mais-valia da prestação da Parque EXPO.

 

Para lá da multiplicidade de clientes públicos e projectos de concepção urbana realizados em 2008, é de destacar o arranque em 2008 de três novos projectos de relevância indiscutível, sob gestão da Parque EXPO: Frente Ribeirinha da Baixa Pombalina, Ajuda - Belém (estes dois no âmbito da Sociedade Frente Tejo) e o Polis Litoral da Ria Formosa. Já no arranque de 2009 se seguiram os projectos do Polis Litoral do Litoral Norte e do Polis Litoral da Ria de Aveiro.

Foi ainda em 2008 que, com a Câmara Municipal de Lisboa, se fechou o acordo para a regularização da dívida referente à gestão urbana assegurada pela Parque EXPO. Os valores suportados pela Parque EXPO no período compreendido entre 2005 e 2008, ascende a 24 milhões de Euros.

 

Se em termos de actividade, fica já em 2008 demonstrada a viabilidade da nova missão, em termos financeiros o ano foi fértil de acontecimentos, nem sempre no sentido da contribuição para um resultado positivo. 2008 foi marcado pela amortização do empréstimo obrigacionista com garantias do Estado, tal como previsto , no montante de 49,2 milhões de Euros, continuando assim a paulatina redução do grande endividamento da Parque EXPO desde os anos da Exposição Mundial, agora a caminho dos 200 milhões de Euros.

O acréscimo das taxas de juro médias de 4,35% em 2007 para 4,72% em 2008, conjuntamente com o aumento registado no último trimestre de 2008 dos spreads de crédito dos empréstimos de curto prazo, fez com que montante dos juros pagos, e apesar da redução em cerca de 54 milhões de Euros do endividamento, seja idêntico ao do ano anterior.

 

Com maior expressão negativa nas contas de 2008 está, ainda, o efeito da desvalorização do valor da cessão dos juros sobe a dívida da Câmara Municipal de Lisboa, no valor de 7,7 milhões de Euros.

Por último será de destacar, ainda neste ano, e dando corpo à progressiva autonomização da gestão urbana do Parque das Nações, visando o crescente envolvimento das autarquias de Lisboa e Loures, a constituição da Parque EXPO - Gestão Urbana do Parque das Nações, SA. 

 

Face à conjuntura internacional desfavorável e ao ano de 2009 particularmente marcado, no plano interno, pelos ciclos eleitorais em renovação, a actividade do ano de 2009 é perspectivada com prudência e moderado optimismo.

 

Rolando Borges Martins
Março 2009

 

 

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