Como nasceu a EXPO'98

A ideia de organizar em Lisboa uma exposição internacional nasceu nos primeiros meses de 1989, para celebrar o quinto centenário das viagens dos navegadores portugueses dos séculos XV e XVI.

Imaginava-se que o quinto centenário da viagem marítima de Vasco da Gama à Índia, (acontecimento que viria a revelar-se decisivo na construção da imagem do mundo moderno), justificava uma grande festa de carácter universal, em que se assinalassem os grandes encontros civilizacionais que marcam os últimos cinco séculos da história do planeta.

A ideia da realização de uma exposição internacional - preparava-se nessa altura a participação portuguesa na Exposição Universal de Sevilha de 1992 - foi apresentada ao Governo e por este escolhida positivamente no Outono de 1989.

Pensava-se numa exposição internacional especializada, construída num recinto de cerca de 50 ha, situado em Lisboa e capaz de acolher 60 países. O pedido formal de registo da data de 1998 foi apresentado Bureau International des Expositions (BIE), com sede em Paris, em finais de 1989. Foi constituída uma comissão interministerial, com a missão de aprofundar o estudo, conceptual e económico-financeiro, do projecto.

O ano de 1990 foi decisivo para assentar os princípios fundadores do programa que, por iniciativa do Governo, e com o apoio empenhado da Câmara Municipal de Lisboa, se ia desenhando.

Na definição do conceito foi essencial compreender que a Exposição de Lisboa deveria marcar a sua diferença em relação a outros eventos recentes do mesmo género, pela atenção dedicada ao tema central.

Assim, propôs-se uma ambiciosa plataforma temática, que visava colocar os oceanos, a sua diversidade, a sua função essencial no equilíbrio planetário, sob as atenções da comunidade internacional, a quem a participação numa exposição deste género interessa em primeiro lugar.

Renunciou-se a uma óptica estritamente historicista, atacando o tema nas suas perspectivas de futuro, relacionando-o com a ciência, a política, e tecnologia e a arte. O objectivo era propor uma nova ética nas relações do Homem com o meio ambiente, tema que se afigurava como central na agenda política do século XXI.

Por outro lado, tornou-se claro que era preciso trabalhar no sentido de evitar o desperdício por que se saldaram tantas exposições internacionais do século XX. A ideia era tornar o acontecimento festivo também útil - para a cidade, para o país e para a comunidade internacional.

A opção pela realização na zona oriental de Lisboa, num vasta área degradada e poluída, respondia a este objectivo.

Instalações industriais antiquadas, depósitos petrolíferos, velhos armazéns militares, um matadouro obsoleto e até uma lixeira a céu aberto deveriam dar lugar a um novo conceito de ocupação do espaço que permitisse, no futuro, devolver à cidade de Lisboa uma importante faixa de território de cerca 5 km de extensão, situada à beira do rio Tejo.

Em princípios de 1991, e para responder à candidatura alternativa da cidade canadiana de Toronto, que entretanto surgira, foi constituída uma Comissão de Promoção, cujo trabalho se veio a saldar pelo êxito conseguido na Assembleia Geral do BIE, de 23 de Junho de 1992: por 23 votos a favor contra 18 atribuídos a Toronto, Lisboa foi escolhida por ser palco da última exposição do seu género - internacional e temática - a realizar no século XX.

A partir de 1993, o projecto entrou em fase acelerada de concepção e desenvolvimento: planeou-se o desdobramento temático no recinto, desenhou-se a estratégia de promoção internacional, lançaram-se as primeiras campanhas de sensibilização interna, negociou-se a desocupação de espaço onde a Exposição viria a ser construída.

As etapas sucederam-se: ainda em 1993, a constituição do Comissariado e da empresa Parque EXPO '98, S.A., encarregada de lançar e executar o empreendimento; logo a seguir, a aprovação do plano geral de urbanização de uma área de 330 ha, dentro da qual ficaria situado o recinto da exposição, então projectado para cerca de 50 ha; o lançamento, no âmbito da UNESCO, da ideia de proclamar 1998 Ano Internacional dos Oceanos, o que viria a ser aprovado pela ONU, em finais de 1994.

Já neste último ano, a aprovação do plano de conteúdos do recinto, com os seus pavilhões temáticos e zonas internacionais; a negociação da construção de módulos que seriam postos gratuitamente à disposição dos participantes, com a proveitamento posterior pela Feira Internacional de Lisboa; a definição da "jóia da coroa", o mais moderno aquário do Mundo, o Oceanário de Lisboa, cuja contratação e construção começou em finais de 1994; o início dos trabalhos de desmantelamento do recinto.

Os anos de 1995 e 1996 foram de consolidação e construção. Pouco a pouco, o terreno, limpo de instalações obsoletas, foi ganhando forma, à medida que se iniciava a construção das Áreas Internacionais Norte e Sul, do Pavilhão de Portugal, do

Pavilhão do Futuro, do Pavilhão do Conhecimento dos Mares, da Estação do Oriente, grande plataforma intermodal de transportes que constitui, o "pulmão" do acesso em transporte colectivo à EXPO '98.

Lançaram-se as primeiras campanhas de promoção internacional e estabeleceu-se um novo objectivo da participação em 100 países e organizações (número que acabou por se fixar em 160); alargou-se o recinto de forma a conter um maior número de participantes e definiram-se os grandes sistemas de acesso viário, enquanto prosseguiam os trabalhos da nova linha de metropolitano que conduz à Exposição; iniciou-se o trabalho de construção, a norte do recinto, da Vila EXPO, conjunto de prédios de apartamentos destinados a acolher os funcionários e participantes internacionais.

O ano de 1997 foi decisivo, aquele em que as expectativas foram ultrapassadas: a do número de participantes, em primeiro lugar, a de receitas de patrocínios, depois.

Ao mesmo tempo, iniciava-se a construção do Teatro Camões, do Pavilhão da Realidade Virtual, do Vídeo-Estádio/Praça Sony.

Tudo se acelerou neste ano: o início da montagem dos conteúdos, a aprovação do Programa do Festival dos 100 Dias, o desenho da Animação, as negociações com os concessionários dos restaurantes, o calcetamento dos pavimentos, as encomendas de Arte Urbana.

Enfim, em 1998, o "toque final". As cores, as formas, os pormenores que fizeram a EXPO '98, ao mesmo tempo, mais do que uma cidade, um lugar sem dúvida utópico mas real onde, durante quatro meses e meio mais de 12 milhões de pessoas emergiram num ambiente visual dos Oceanos para aquela que foi uma das última celebrações do milénio.

Apreciação dos Visitantes


A EXPO '98 foi um êxito absoluto e a sua efectivação esteve praticamente isenta de falhas. A maioria das apreciações dos visitantes foi positiva. Têm particular relevo as opiniões expressas pelos visitantes que se distribuíram da seguinte forma:

52% gostou da EXPO e 43% gostou muito

O que soma 95% de opiniões francamente positivas; os restantes 5% distribuem-se igualmente pelo "assim-assim" e pelo "não gostei".

Numa classificação de 0 a 20 valores, cerca de 70% dos visitantes classificou a Exposição entre 16 a 20, 82% dos visitantes manifestou intenção de regressar e 97,5% anunciou recomendar a visita a outras pessoas. Cerca de 65% dos visitantes disse que a EXPO '98 contribuíu muito para o desenvolvimento de Portugal.

O número total de visitas efectivamente realizadas foi de 10.128.204. Neste número não se incluem as entradas no Recinto de pessoas acreditadas, as quais totalizaram um aumento do referido número de visitas de 2.080.000, elevando a presença global para um pouco mais de doze milhões e duzentas mil pessoas.

O número de visitas ficou porém aquém das expectativas devido a dois factores que ocorreram parcialmente em simultâneo: a agressividade do tempo durante o mês de Maio e praticamente durante todo o mês de Junho, o que levou muitos dos potenciais visitantes a adiar as suas idas à EXPO, e a realização do Campeonato Mundial de Futebol em França, que levou muita gente a preferir a comodidade de ver a transmissão televisiva dos jogos nas suas casas.

 

Os Oceanos, Um Património Para o Futuro


Uma boa parte do êxito da EXPO '98 fica a dever-se à riqueza e oportunidade do tema escolhido como referencial da base da Exposição. A conjugação com a vocação marítima dos portugueses de que em 1998 se comemoraram os 500 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia, não poderia ter sido mais feliz.

A adesão internacional à EXPO '98 foi, e muito, influenciada pelo tema dos Oceanos, uma vez que é cada vez maior a consciência de que sendo o mar uma fonte de vida insubstituível, exige uma atenção e cuidados muito especiais para que não se corra o risco de que, com a degradação progressiva e mesmo acelerada, se atinja um ponto do qual seja muito difícil recuperar.

A Organização das Nações Unidas declarou 1998 como o Ano Internacional dos Oceanos e nesse contexto foi constituída a Comissão Internacional Independente para os Oceanos a que presidiu o ex-Presidente da República, Dr. Mário Soares. O dia da ONU em que foi publicamente apresentado o Relatório da Comissão - dia 1 de Setembro - constituíu um dos momentos altos da EXPO.


Participação de Países e Organizações


No que respeita ao número de países e de organizações internacionais participantes atingiu-se o número de 160, muito superior ao inicialmente previsto, deixando muito longe as participações presentes nas Exposições anteriores (Sevilha e Seul).

Alcançar um número recorde de presenças, como se conseguiu, foi um objectivo perseguido com colaboração de várias entidades governamentais, com destaque para os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Economia (este através do ICEP). A

Organização empenhou-se em trazer a Lisboa o maior número possível de países, como forma de alargar o encontro diversificado de culturas e de civilizações, uma das notas marcantes da EXPO '98.

Foram criadas condições especiais para a vinda dos países, particularmente para aqueles que dispunham de menores recursos. A cedência de espaços expositivos a título gratuito, a existência de alojamentos para o pessoal dos participantes a preços mais vantajosos, a disponibilização de "projectos-tipo" para a organização dos conteúdos no interior de pavilhões foram apenas algumas das facilidades concedidas e que ajudaram ao sucesso obtido neste capítulo.

 

Oferta Cultural e Desportiva


Comemorando o tema da EXPO, Os Oceanos, Um Património Para o Futuro, o destaque foi para os pavilhões temáticos e respectivos conteúdos expositivos, Pavilhão dos Oceanos, Pavilhão do Conhecimento dos Mares, Pavilhão do Futuro, Pavilhão da Utopia e Pavilhão de Portugal, para as áreas temáticas, Exposição Náutica, Jardins Garcia de Orta, Jardins da Água, Alameda dos Oceanos, Vulcões de Água e a Doca dos Olivais, para os frequentes momentos de Arte Urbana, para o aproveitamento da frente ribeirinha do Tejo e a Exibição Náutica, com a presença de 320 embarcações e onde muitos países prolongaram os seus pavilhões.

No Recinto da Exposição a oferta cultural de animação e espectáculos concretizou-se em mais de 10.000 sessões, contados os diferentes espectáculos realizados ao ar livre, no Teatro Camões, na Marina Show ou no Espaço Adrenalina, incluindo as actuações dentro dos Pavilhões dos Participantes.

As intervenções artísticas de natureza temporária realizadas nos espaços cénicos existentes tiveram a presença de mais de 16,5 milhões de espectadores. A oferta de espectáculos permanentes assentou em três produções: Olharapos, Peregrinação e Acqua Matrix, tendo-se verificado a realização de 1.908 sessões às quais assistiram 8,7 milhões de espectadores.

Ainda em termos culturais, destaque para dois festivais realizados no exterior do Recinto:

O Festival dos 100 Dias constituíu-se como prelúdio da Exposição Mundial, assinalando a contagem decrescente para o início do evento. Foi uma viagem à criação cultural do século XX nos seus mais diversos aspectos: música, bailado, ópera, cinema, literatura, teatro.

O Festival Mergulho no Futuro, envolvendo também ele diversas disciplinas - dança, teatro, música, vídeo, performance -, foi marcado pela mostra das inquietações do final do século e do milénio, bem como pela revitalização estética das várias disciplinas apresentadas, para lá dos caminhos abertos pelas várias tecnologias e transformações consequentes ao nível da experimentação e reinvenção de novos projectos estéticos.

Finalmente, a programação desportiva viria a integrar uma centena de eventos, entre a competição e a exibição pura e simples: provas de atletismo, regatas de vela, canoagem, campeonatos de caiaque, corridas e exibições diversas ("barcos-dragão"), shows de ginástica e de fitness, a chegada do "Round The World Rally" e a partida da regata "Odisseia do Milénio", Open

Internacional de Squash, Prémio Mundial de Balão, hipismo, desportos acrobáticos, Mundialito de Futebol, street basket, "Lisbon Sail '98".

 Promoção, Marketing e Patrocínios


O marketing de um evento como uma Exposição Mundial caracteriza-se por duas grandes condicionantes que, também no caso da EXPO '98, foram naturalmente seguidas. Em primeiro lugar, trata-se de dar a conhecer, divulgar e, posteriormente, cativar um leque alargado de "grupos-alvo" para um "produto" não previamente existente, em elaboração, construção e adaptação constante, até à sua concretização, na data de abertura. Em segundo lugar, dever-se-á respeitar uma intensidade e ritmo de Comunicação sempre crescentes. Ambas as condicionantes foram seguidas na Exposição Mundial de Lisboa.

O marketing da Exposição, nas suas diversas vertentes - Publicidade, Promoção, Relações Públicas, etc. - esteve desde o início das actividades, em 1993, ao serviço da evolução e desenvolvimento do projecto da EXPO, cabendo-lhe numa primeira fase criar awareness do evento, posteriormente apresentar e divulgar o seu tema - "Os Oceanos, Um Património Para o Futuro", para passar de seguida a uma fase de caracterização da Exposição, reforçando o seu carácter e adesão internacional e revelendo as suas principais atracções (pavilhões e animação), para finalmente, num discurso mais directo, apelar ao "consumo", isto é, à inevitabilidade da visita.

As diversas disciplinas do marketing seguiram este percurso de Comunicação, sendo de realçar a aceitação e notoriedade das campanhas publicitárias que arrancaram em 1994 com a execução criativa "Bebés", que obteve numerosas distinções nacional e internacionalmente. Directamente relacionada com a Comunicação, está a preocupação de eficácia que sempre presidiu às acções desenvolvidas, nomeadamente a definição de grupos-alvo a atingir.

Daí a aposta colocada em segmentos da população nacional, traduzida em investimentos directos significativos - comunidade científica, jovens em idade escolar, portugueses residentes no estrangeiro, - escolhidos como destinatários importantes para a transmissão das mensagens da Exposição.

Igualmente fora das fronteiras foram seleccionados mercados prioritários, Espanha em primeiro lugar, e, num segundo plano, outros cinco mercados europeus, que, com acções de publicidade ao grande público, actividades promocionais e incentivos de comercialização directa aos operadores do sector turístico, muito contribuíram para a internacionalização dos visitantes.

Dando cumprimento à segunda condicionante acima enunciada, os esforços de Comunicação da Exposição Mundial de Lisboa foram também seguidos na abordagem aos mercados externos, tendo-se iniciado a divulgação em 1995 no mercado espanhol e, no ano seguinte, nos restantes mercados internacionais.

Num mercado com reduzida tradição de mecenato, a Exposição Mundial de Lisboa consistiu, para a comunidade empresarial e por força da iniciativa da Parque EXPO '98, S.A., um exemplo pioneiro de associação de um conjunto significativo de empresas a um evento com garantida dimensão nacional e projecção internacional.

A partir de uma grelha de associação que contemplava diversos níveis de envolvimento das empresas com a Parque EXPO '98 S.A e com a Exposição Mundial de Lisboa, nomeadamente as figuras de "Patrocinador Associado" e "Patrocinador Oficial", "Fornecedor Oficial", "Marca Oficial", "Empresa Associada" e "Empresa Colaboradora", foi possível garantir uma forte adesão do tecido empresarial nacional, tendo-se estabelecido acordos de patrocínio com marcas comerciais, possibilitando um encaixe superior a 10 milhões de contos.

Ao longo dos 132 dias da EXPO '98, as empresas e marcas associadas tiveram oportunidade de, no Recinto da Exposição, obter retorno dos investimentos realizados, quer através da visibilidade garantida, da exclusividade de venda de produtos, nalguns casos, ou ainda através de programas de sensibilização junto da sua clientela específica.

O programa de angariação de patrocínios teve início em 1995, possibilitando, assim, às empresas que mais cedo garantiram a sua associação, uma participação activa nas acções de promoção e divulgação que a Parque EXPO '98 S.A. activamente desenvolveu nos mercados nacionais e internacionais.

 De referir ainda que a Parque EXPO conseguiu maximizar as receitas de patrocínios através de eventos que, por serem realizados antes da EXPO '98, ou fora do Recinto desta, possibilitaram acordos específicos de apoio a estas iniciativas com outras empresas nacionais e internacionais, como foi o caso, por exemplo, do Festival dos 100 Dias.

 
 Venda de Bilhetes


A política de bilheteira da Exposição Mundial de Lisboa foi delineada em simultâneo com a caracterização da oferta de pavilhões, animação e espectáculos que a Parque EXPO empreendeu nos anos anteriores a 1998, visando um ajustamento da oferta ao "preço" a pagar por esta.

Baseada numa análise das práticas de bilheteira realizadas em anteriores eventos, adaptada às características específicas da oferta da EXPO '98, foi apresentada às populações e iniciada a sua comercialização exactamente um ano antes da abertura da Exposição.

Como elementos caracterizadores da política de bilheteira da Exposição Mundial, destacam-se a existência de entradas de "dia", com acesso à visita aos pavilhões temáticos e internacionais e de entradas de "noite", principalmente dirigidos à oferta e animação e espectáculos, de títulos de entradas de "um dia", "três dias" e "três meses", a criaçãode um novo suporte de entrada, desenvolvido com a colaboração de uma "marca oficial", que escrevia magneticamente uma entrada no Recinto da EXPO num relógio.

Foi também antecipada a comercialização, criando três períodos de venda de bilhetes, como óbvio incentivo à compra antecipada por via de descontos associados, introduzidas, já só no período de funcionamento da Exposição, novas modalidades de entradas, com carácter promocional, como por exemplo o "bilhete de família" ou o "bilhete de três noites".

A associação com uma instituição bancária com cobertura nacional possibilitou uma rede de distribuição com mais de 600 pontos de venda e deu-se tratamento especial dado ao canal turístico - Tour Operators e Agências de Viagem.

Naturalmente indissociável da qualidade da oferta disponível, na Exposição Mundial de Lisboa, mas certamente reforçado por algumas das políticas inovadoras de bilheteira introduzidas, o resultado final de bilheteira é considerado altamente positivo. São disse resultado os números expressivos que se enunciam:

Número total de títulos de entrada emitidos: 6.742.667

Receita global de bilheteira, inc. IVA - 5% Esc: 34.523.953

Percentagem de vendas - em valor - realizadas nas portas do Recinto: 35%

 

 


Alguns outros elementos importantes reportam-se à significativa actividade editorial, através de produções próprias ou no apoio dado a projectos exteriores, com publicações que, a partir de 1993, se centraram na temática das Exposições Internacionais, na cidade de Lisboa e no próprio tema da Exposição - "Os Oceanos - Um Património para o Futuro".

De salientar ainda as publicações oficiais da Exposição: Guia Oficial (40.000 exemplares em português, e 15.000 exemplares em cada uma das versões inglesa, espanhola e francesa) e Catálogos Oficiais dos Pavilhões (cinco publicações, uma para cada pavilhão temático, cada uma com tiragens superiores a 15.000 exemplares).

O Programa Oceonofilia, centrado sobre a temática da Exposição e com o qual se pretendeu mobilizar o interesse das camadas mais jovens para o projecto, preparando uma "geração" capaz de dar continuidade à sua mensagem e objectivos, desenvolveu-se a partir de 1994, tendo envolvido cerca de 200 escolas, num total de 30.000 estudantes.

Os pólos dinamizadores do programa foram os 11 Clubes do Mar, criados em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas, com actividades tão diversas quanto o ensino e a prática da Vela, campanhas de sensibilização ambiental e de recuperação do património e actividades lúdicas e artísticas.

 

Apoio ao visitante


Os serviços de apoio disponibilizados ao visitante incluíram um serviço de informação assistida, três complexos multiserviços, quiosques multimédia, uma rede de transportes gratuitos EXPO, carrinhos eléctricos e um teleférico, salas de apoio a bebés, serviços de cuidados médicos, de comunicações, de segurança, bancos e caixas multibanco, perdidos e achados, bombeiros, correios e depósitos de bagagens, pessoas perdidas e apoio a grupos, um espaço de acolhimento inter-religioso, 13 quiosques, 4 self-services, 7 take-away, 7 restaurantes tradicionais dos Participantes e os bares da Praça Sony; lojas de produtos institucionais, 8 lojas de artesanato internacional, 3 lojas de artesanato português, 3 de gastronomia portuguesa, duas de publicações, duas de cristais e loiças, uma de joalharia, uma de música, outra de vinhos, de medalhística, uma galeria de arte e lojas de utilidades: 4 de material fotográfico, 5 tabacarias/papelarias, 2 agências de viagens e 3 de material de vídeo.

Como serviços pagos refira-se o percurso da telecabina (teleférico), a subida à Torre Vasco da Gama e a entrada no Pavilhão da Realidade Virtual, além do Espaço da Criança e do Espaço Adrenalina.


Comunicação Social


A visibilidade da EXPO '98 foi assegurada por uma estrutura de comunicação social expressamente criada para o período da Exposição. A mediatização foi realizada através de uma televisão, uma estação de rádio, um jornal diário e uma agência de notícias próprios. Um total de 6.312 jornalistas estrangeiros de 88 países pediu acreditação, aque se juntaram-se 5.204 jornalistas portugueses, perfazendo um total de 11.516 profissionais.

A Tele-EXPO emitiu 1.612 horas, da EXPO foram difundidas 1.304 horas de rádio para Portugal e 1.015 para o resto do Mundo, o jornal diário da EXPO (com versões em inglês e em castelhano) teve 17,1 milhões de exemplares e a Agência EXPO produziu 4.105 notícias.

 Funcionamento da Exposição


A operação da Exposição Mundial de Lisboa consistiu em assegurar o funcionamento de todos os serviços necessários ao bom desempenho do Recinto e tendentes a garantir aos participantes as condições de participação exigidas e aos milhões de visitantes uma presença com garantia de absoluta qualidade e segurança.

O número médio de trabalhadores envolvidos nas "Operações" e distribuídos por quatro turnos, foi de 3.638, 51,4% dos quais mulheres. Deste universo, 36,1% das mulheres eram licenciadas ou detentoras de bacharelato e apenas 1,2% possuíam habilitações literárias inferiores ao 9º ano de escolaridade. Nos homens, e para os mesmos quesitos, a situação era de 21,4% e 3,8%, respectivamente.

Em termos etários, 49,9% das mulheres tinham entre 21 e 25 anos, correspondendo nos homens à percentagem de 47,5%. Das principais Unidades Operacionais, um destaque particular para o Centro de Operações e Controlo, que teve como objectivo principal a obtenção e tratamento de toda a informação operacional sobre o funcionamento do Recinto, tendo em vista a tomada de decisões e a coordenação da Exposição.

A Unidade de Planeamento de Meios Humanos, Formação e Voluntariado estabeleceu as linhas da política de pessoal a prosseguir, tendo em conta o número de pessoas necessárias para o efeito. Procedeu à organização das acções de formação.

A Unidade de Público teve por objectivo assegurar o funcionamento dos acessos e transportes. Registe-se que, além da frota de transportes secundários, constituída por 114 viaturas, e da frota de 147 veículos eléctricos, ao nível dos transportes primários foram disponibilizados 10 autocarros que serviram uma média diária de 135 000 visitantes.

A Unidade procedeu à emissão de acreditações - foram emitidos 80.641 cartões de acreditação e mais de 111.600 acreditações pontuais, em suporte bilhete/convite, geriu as Portas do Recinto e deu atendimento aos visitantes, quer através de prestação de informação - foram feitos cerca de 2 milhões de pedidos de informação (1.982.589)  nos sete postos de informação assistida existentes no Recinto, 39% dos quais estrangeiros, tendo sido distribuídos mais de 9 milhões de folhetos, mapas brochuras e guias diversos.

Deu ainda apoio a pessoas perdidas - foram registados 3.481 casos, 62, 5% dos quais relativos a crianças, objectos perdidos e achados - 24.699 participações e 11.884 objectos encontrados, geriu o depósito de bagagens e os serviços de encomendas e mensagens - passados pelos CTT deram entrada no Recinto 285.062 registos e saíram para o exterior 558.825 e garantiu o atendimento a grupos preferenciais e a grupos sociais e a prestação de assistência médica - foram assistidas 43.311 pessoas, tendo sido transferidas para assistência hospitalar apenas 1,3%.

A Unidade de Serviços Técnicos foi responsável por garantir a manutenção e limpeza dos edifícios e espaços públicos do Recinto, bem como a funcionalidade das radiocomunicações, megafonia, transmissão de sinais e controlo de segurança, e ainda a coordenação das intervenções no Recinto de actividades de construção, incluindo as concessionárias, e limpeza e manutenção de espaços verdes.

Foram registadas 4.335 ocorrências, 57% das quais em edifícios, as quais não tiveram qualquer influência no normal funcionamento da Exposição, sendo de referir que nesse período foram recolhidas cerca de 6.000 toneladas de lixo (cerca de 45 toneladas por dia).

À Unidade de Actividades Comerciais coube o controlo da actividade de todas as lojas e pontos de restauração e bebidas existentes no Recinto - exceptuando o Pavilhão de Portugal -  num total de 105 unidades, tanto em matéria de cumprimento de contratos, como de saúde pública. Envolveu o controlo higio-sanitário e o controlo ambiental, garantiu a boa qualidade de cerca de 4.000 toneladas de produtos, tendo sido ainda responsável pelo sector de queixas e reclamações - foram recebidas 5.361 participações (média de 40 por dia).

A Unidade de Pavilhões foi responsável pelo funcionamento dos pavilhões temáticos, que receberam mais de 17 milhões de visitas, tendo participado na montagem dos seus conteúdos expositivos e na preparação da sua operação.

No âmbito da actividade da Unidade de Espectáculos esteve a negociação dos cerca de 600 contratos com artistas, produtores e agentes envolvidos nos espectáculos da iniciativa própria da Organização, a gestão da programação e da sua divulgação, dentro e fora do Recinto, assim como a gestão e funcionamento (incluindo som, iluminação e vídeo) dos espaços cénicos.

À Unidade dos Participantes competiu, designadamente, proceder à gestão e manutenção diária dos pavilhões e outros espaços ocupados pelos Participantes Oficiais, Não Oficiais e Empresas Patrocinadoras.

As responsabilidades do Protocolo EXPO foram necessariamente marcadas pela dimensão do acolhimento e atendimento de personalidades ligadas ao número de participações.

O número de entradas pela Porta VIP foi de 16.590, destacando-se a presença de:

38 Chefes de Estado
29 presidentes de Assembleias parlamentares
35 Primeiro-Ministros e Vice-Primeiro-Ministros
22 Vice-Presidentes da República e Príncipes Herdeiros
8 Presidentes e Secretários-Gerais de Organizações Internacionais.

A Unidade de Segurança foi incumbida de garantir a segurança de pessoas e bens no recinto e nas suas áreas limítrofes, tendo sido utilizados diariamente e em permanência 370 postos de vigilância,  além do dispositivo de segurança para a área molhada da frente-rio. Foram efectuadas quase 1 milhão de horas de vigilância, dois terços das quais nos espaços abertos e 7.000 horas de navegação no rio Tejo, tendo as ocorrências verificadas sido resolvidas atempada e satisfatoriamente sem consequências de maior.

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